No meio do turbilhão de sentimentos que nos envolvem quando nasce um filho com t21, esquecemos muitas vezes que pode haver mais pessoas a sofrer tanto ou mais do que nós. De repente realizámos que nos esquecemos dos avós, que também vivem momentos difíceis e também precisam de apoio e de informação.

No momento do diagnóstico, os avós vivem a mesma dor dos filhos, passam pelas mesmas emoções e muitas vezes estão no papel difícil de nos apoiar e dar ânimo. Os grupos de entre ajuda de pais também  podem ser uma ajuda para os avós. Pode ser interessante para eles assistirem às reuniões juntamente com os próprios pais do bebé.

Tal como nós, por vezes os avós também duvidam do diagnóstico e nesse caso é importante que vão a uma consulta ou que possam ter acesso ao cariótipo, que, sendo a representação fotográfica dos cromossomas de uma célula da criança facilmente permite esclarecer quaisquer dúvidas sobre o facto de se tratar de uma alteração genética. 

Poderá igualmente verificar-se nos avós uma espécie de sentimento de culpabilidade e até de receio. Podem pensar que  a  t21 provem deles e sentirem-se culpados, e irem  pesquisar a genealogia das famílias, colocando-se a questão “de que lado” poderá vir esta deficiência. Esta é uma questão que não nos leva a nenhuma conclusão e  é particularmente dolorosa para todos, pais e avós. A explicação de um geneticista pode ser de uma ajuda válida para algumas famílias.  

O fenótipo (aspeto físico) da criança com t21 também lhes poderá causar alguma inquietação. Questões sobre a aceitação na sociedade em que tanto se valoriza o aspeto exterior podem causar grande angústia. Por fim, o impacto  que a presença desta criança  poderá ter a nível da nossa disponibilidade para  os outros irmãos/netos também parece preocupá-los, bem como a nossa própria resistência física ou mental (depressão, esgotamento) ou  a simples  dor  que estamos a sentir e lhes parece tão difícil de suportar. Tal como nós queremos proteger os nossos filhos, os nossos pais querem proteger-nos a nós.

É importante os avós terem o apoio dos seus amigos mais próximos e dos outros membros da família. O facto de poderem contar às pessoas que tiveram um neto com t21 é essencial para o seu processo de adaptação, esta partilha proporciona um certo reconforto e é uma maneira natural de encarar o que se está a viver. É uma maneira natural de encarar o que se está a viver.

Os avós também se  sentem muito preocupados com o futuro da criança, inquietam-se com o que se possa passar se um de nós vier a faltar, ou se nos acontecer algum imprevisto, considerando sempre que outro familiar deve tomar conta da criança. A maior parte dos avós  sentem-se  capazes de se mobilizar para nos ajudarem haja o que  houver, e sentem necessidade de o fazer. Muitas vezes a sua espiritualidade e a sua religião também os ajudam a ser proactivos e a enfrentar a situação, disponibilizando-se nas vertentes mais variadas para dar o seu contributo, ficando com o bebé, ajudando em casa, dando suporte financeiro, ou ajudando a tomar conta dos outros irmãos. 

Nas famílias em que há uma criança diferente os avós sentem que têm um papel único a desempenhar. O apoio dos nossos pais é fundamental. Devemos facultar-lhes toda a informação. Deixá-los exprimir os seus receios, colocarem as questões  que os  inquietam, e  devem, sobretudo, poder estar e viver com este neto especial e aos poucos vão aprendendo a amar, como a qualquer outro neto.

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