Arrow
Arrow
Slider

As dúvidas sobre a adolescência e da transição para a vida adulta surgem-nos  muitas vezes quando os nossos filhos ainda são pequenos. Começamos a pensar que bom que seria, se pudéssemos protegê-los para sempre, mas os nossos filhos crescem e o tempo passa tão rápido. Sem darmos conta, temos à nossa frente um verdadeiro adolescente. E de repente apercebemo-nos que nesta coisa da adolescência são como todos os outros. E agora?

Saber que neste caso são muito mais iguais que diferentes não nos deixa verdadeiramente felizes, porquê o medo?

Sabemos que hoje em dia  os jovens adolescentes com t21 conseguem ter vidas muito próximas do que se considera ser o padrão: a maioria sabe ler e escrever, consegue exprimir-se, ter um comportamento social adequado, ser autónomo em casa e na escola e trabalhar. Como qualquer adolescente os jovens com t21 têm os seus gostos, as suas músicas favoritas, os seus amigos e as suas paixões.

Mais do que nunca na adolescência, tal como os outros jovens, despertam para a sexualidade. A exposição à sexualidade é enorme. A televisão, as revistas, os próprios colegas que estão a despertar para esta questão. É muito importante que todos os jovens tenham acesso a informação adequada, clara e acessível. Devemos estar preparados para esclarecer todas as dúvidas, mesmo as que nos causam algum desconforto, enquanto pais. Se não se sentir confortável, procure ajuda, mas nunca impeça o acesso à informação. É a informação adequada que permite um comportamento também adequado e socialmente aceite. Onde posso despir-me na escola, na piscina ou na praia? Porque não posso beijar o meu amigo na boca? Porque não posso mexer no meu corpo ou no corpo do outro? São tudo questões que têm que ser abordadas.

A aparência física é um aspeto fundamental para a nossa aceitação. É uma altura em que nos queremos “parecer” como os nossos amigos. Deixe o seu filho escolher o que gosta de vestir. Devemos tentar que a sua aparência seja como a de qualquer jovem da sua idade.

Mesmo que sempre tivéssemos adorado ver os laços no cabelo, as rendas nas golas, os suspensórios, devemos aceitar que o nosso filho cresceu e que deve vestir-se como tal. Nenhuma miúda com 12 anos usa laços no cabelo, nenhum rapaz veste suspensórios ou calções sem botões. Devemos ter o máximo cuidado e evitar a infantilização dos jovens com t21. O mesmo se aplica aos comportamentos. Enquanto ainda achamos graça a uma criança que faz birra e se senta no chão, este comportamento num adolescente é inaceitável.

Potenciar os comportamentos adequados permite aos nossos filhos mostrar o que valem e aumenta a sua aceitação. Temos tendência a fazer as coisas pelos nossos filhos, respondermos por eles, arrumarmos em vez deles, só porque é mais fácil e mais rápido. É nossa obrigação permitir-lhes a aprendizagem, mesmo quando precisam de mais tempo. Seria tão mais rápido se fizéssemos por eles, mas é preciso que aprendam, porque não estaremos cá para sempre e queremos que nessa altura já o saibam fazer.

A condição de adulto é definida por todo o trabalho  de estimulação que começamos quando são pequenos, as competências sociais que vão adquirindo são a base que depois lhes vai possibilitar uma maior e diversificada integração na vida adulta. 

Leia os testemunhos
Desafios? Leia os testemunhos