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A realidade dos irmãos e irmãs de crianças especiais faz com que sejam, também eles, muito especiais. O seu ambiente familiar, o seu espaço e as suas rotinas frequentemente são moldados às necessidades dos seus novos irmãos diferentes.

A relação entre os irmãos no seio de uma família é sempre muito  importante para nós pais. Por vezes, sentimos uma espécie de responsabilização em relação aos nossos outros filhos, por termos trazido para o seio da família um elemento que requer mais cuidados e atenção. Será que vão ser amigos? Será que vão gostar um do outro? Será que vamos conseguir dar a atenção a todos? — são medos que nos invadem.

É muito importante que saibamos como é importante falar mais abertamente com os nossos filhos sobre aquilo que os preocupa e que muitas vezes não conseguem expressar abertamente. Os irmãos sentem a nossa ansiedade e preocupação e muitas vezes querem  proteger-nos. A maioria, tornam-se se rapidamente em pequenos adultos, defensores acérrimos dos irmãos. No entanto, nem todos os irmãos reagem da mesma forma. E é nestes que nos devemos concentrar. Um irmão com t21, contrariamente ao que acontecia há alguns anos atrás, deixou de ser encarado como um caso perdido. Hoje em dia, graças ao estímulo, ao avanço na ciência, as crianças fazem grande progressos. Mesmo assim, não deixam de ser irmãos diferentes.

É importante que os nossos outros filhos tenham o seu espaço próprio, que não os responsabilizemos pelos irmãos. Um irmão é apenas um irmão. Muitas vezes não falam daquilo que lhes vai na alma. Somos nós que temos o dever de ter um olhar cuidado sobre os irmãos. Quando os abordamos sobre a questão dos irmãos com t21, surpreendem-nos sempre com as suas experiências e testemunhos. surpreendentes.

Por vezes parecem pequenos adultos. A naturalidade com que encaram a sua vida, os seus receios quanto ao futuro, ou a firmeza, o  respeito e amor pelos seus irmãos com t21 são  geralmente de uma maturidade e serenidade invulgares. Contrariamente à perspetiva negativa de muitos adultos relativamente às crianças com t21, a maioria dos irmãos, talvez por ingenuidade ou otimismo, têm uma visão positiva da sua experiência.

É óbvio que o relacionamento com um irmão com t21 afeta os irmãos, mas não da forma como esperaríamos. Essa vivência difícil que suponhamos – a falta de tempo e o cansaço dos pais, os problemas económicos, para não falar da própria deficiência em si, o ruir de um sonho de poderem ter um irmão normal – parece muitas vezes, não ser a questão essencial para os irmãos.

É importante que os jovens irmãos saibam que não estão sós, que existem muitos outros como eles que têm irmãos t21 e que, como eles, sabem o que é “Crescer com um irmão diferente”. Com eles aprendemos que, se por um lado, não é fácil ter um irmão que necessita de cuidados especiais, também não é necessariamente o drama que se julga ser. Na sua maioria, acolhem simplesmente aquilo que sentem e que sabem não poder mudar, não com fatalismo, mas com serenidade, sem revolta, numa postura positiva de tentar sempre ajudar, de ultrapassar etapas, sem um futuro bem delineado, mas confiantes.

Todos nós devíamos ouvir e aprender com estes irmãos fabulosos.
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