Categoria: Artigos de Opinião

Novos Pais | Os filhos não se escolhem por catálogo

“Parabéns Micas!!! Em Fevereiro de 1992, aos 27 anos, tive a noticia mais fantástica da minha vida… ia ser mãe…Tudo foi lindo, os enjoos e os vómitos, a barriga que não parava de crescer proporcionalmente ao volume do resto do corpo, as estrias que teimavam em aparecer… tudo foi encarado com uma imensa felicidade… Em Outubro fui mãe pela primeira vez … A Joana era um bebé lindíssimo e enorme para a estrutura pequena da mãe … Daquelas crianças que fazem as delícias de qualquer casal … Era um orgulho sair com a bebé porque por todos era elogiada...

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O que já devia fazer e o peso de consciência

A minha filha Vera adora andar de baloiço.  Se não lhe disser nada é capaz de baloiçar por tempos infinitos. Se a minha filha não tivesse trissomia 21 não me incomodava a ideia de estar tanto tempo a baloiçar, sempre é melhor do que estar a ver TV ou a jogar Ipad, mas ela tem t21 e, por isso, tudo é diferente. Não devia estar a trabalhar com ela? Melhorar a leitura, a dicção, treinar as competências matemáticas e a tal da autonomia? Ela tem que saber atar os sapatos, vestir-se, combinar as cores, ser educada, saber pedir, verificar os trocos, mas está no baloiço a perder tempo, estando para ali a baloiçar. Oiço-a cantar ao longe, é o Agir, os D.A.M.A, as músicas dos morangos com açúcar, a chica vampiro. O que ela gosta de estar debaixo da nogueira grande! Apesar de a ouvir feliz, sinto-me sempre invadida por um enorme peso de consciência. Um sentimento que carrego desde que a minha filha nasceu. Nos primeiros três anos era porque não andava, depois porque confundia as letras. Agora já sabe ler mas há muito ainda por fazer. Talvez devesse chamá-la para treinar o uso dos verbos, esquece-se deles nas frases, já devia saber, já tem 14 anos. Provavelmente a culpa é minha, que devia ter feito mais, lido mais, aprendido mais sobre os variados métodos e efeitos. É...

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Proteção ou acomodamento, quando os nossos filhos crescem

Muitos pais não dão por isso, mas de repente têm a seu lado adultos de verdade. Podem ser baixinhos, continuar a gostar de bandas desenhadas e de ver filmes da Disney, mas cresceram e tornaram-se adultos. Foi para isso que lutámos desde o primeiro dia, mas, no nosso subconsciente queremos que eles sejam sempre os nossos bebés – talvez porque a sua transparência e candura permanece intacta como no primeiro dia, e há menos respostas tortas e menos mau feitio do que nos nossos outros filhos já adultos ou adolescentes. Com estes, queremos que cresçam e sejam felizes mas...

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Porque não me convidaste?

Todas as pessoas com filhos conhecem o drama das festas de aniversário. Quem é  convidado? Quem tem que ficar de fora?  Hoje em dia as festas de aniversário tem vindo a perder o seu caráter pessoal. A festa do João pode ser a festa da Maria. Muitas vezes as festas são impessoais e delegadas para empresas de eventos o que aumenta o drama da escolha. Só podem ser 20, repetem os pais, porque senão fica mais caro. Paga-se por cabeça e é preciso escolher bem. Este número pré definido acaba por ser um drama tanto para os miúdos, como...

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São tão felizes

Quantas vezes ouvimos nós, pais de crianças e jovens com trissomia 21 (t21), esta frase. Parece que os nossos filhos com t21 nasceram todos com este dom. Ter t21 é aos olhos dos outros a capacidade de estar sempre feliz. Não é preciso que façamos alguma coisa para isso, os nossos filhos com t21 são felizes, porque sim. Confesso que a teoria à volta da felicidade me aborrece. É um daqueles disparates que tem por base a desresponsabilização de quem o diz e assim pensa. Se tenho alguém que está sempre e em qualquer circunstância feliz, nada há nada...

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