Lemos e ouvimos muitas vezes que fulano ou beltrano com  t21 se ultrapassou, porque atingiu coisas, e metas que ninguém considerava possíveis.

Estas conquistas que vamos conhecendo, prendem-sem muitas vezes com as oportunidades que as pessoas com t21 estão a ter. Atualmente, os jovens podem experimentar e vivenciar situações que há alguns anos eram impensáveis e eis que surgem os tais que se ultrapassam, porque não nos passava pela cabeça que fosse possível.

Um exercicio de fácil compreensão seria imaginar uma criança sem acesso à escola, a livros, que não esperássemos dela que aprendesse  a ler e escrever. Passou-se durante muito tempo o mesmo com as pessoas com t21: não eram expostas às aprendizagens então não aprendiam. Demos um enorme passo, agora os jovens ultrapassam-se!

Que bom, dizemos.  E aqueles que não se ultrapassam e que não chegam a ser notícia? Serão menos válidos? É preciso ultrapassar-me para ser reconhecido como pessoa? É importante que tenhamos consciência, que as pessoas com t21 não têm que se ultrapassar ou provar que são capazes disto ou daquilo. Todos devem ter o direito às condições ideais  para desenvolverem o seu expoente máximo. Devemos sempre proporcionar todas as experiências sem esperar ser notícia. O que conta é que todas as pessoas vivam uma vida plena com poder de decisão sobre o que gostam ou não de fazer.

A pessoa com deficiência intelectual não tem que se ultrapassar para ser válida. Deixemo-nos disso, porque senão todos nós teriamos que apresentar o nosso Super Poder. Por falar nisso, qual é  Super Poder que valida a tua existência?

Marcelina Souschek, 2018