Ser irmã da Joana é uma aprendizagem constante, é ser literalmente a “irmã da Joana” para onde quer que vá se conhecerem a Joana não sou a Patrícia, mas a “irmã da Joana” admito que isso por vezes me chateia. Sou a Patrícia mas minha etiqueta é muitas vezes “irmã da Joana”…

Por vezes é frustrante, entrei para a faculdade estava longe da família sozinha numa cidade nova e o que se comentava quando vinha o assunto “como é que será para a Joana? Vai ser complicado para ela está habituada a ter a irmã por perto” e eu? Bem eu não era sequer a preocupação porque como sou “normal” vai tudo correr bem…Decido que quero fazer Erasmus a preocupação é “Talvez não é boa ideia é muito tempo longe da Joaninha”. Mais uma coisa que me irrita o “Joaninha”, a Joana é uma criança de 10 anos já não é um bebé e em breve será uma adolescente não é suposto a tratarem como um bebé querem que ela seja independente, mas depois sempre a apaparicá-la.

A Joana é uma criança com muito para ensinar, alguém comentou comigo no outro dia conhecer a Joana tem 3 fases, “a primeira que quando ainda não conheces que é algo do tipo – é uma criança com deficiência que vai ter imensas dificuldades pela vida – a segunda quando surge o contacto com ela -Uau ela para uma criança deficiente mas muito desenvolvida- e a terceira fase em que já a conheces em que já nem te passa pela cabeça que a Joana tem trissomia 21 -é um poço de amor e carinho com tanto para ensinar ao mundo. Intrigada com esta terceira fase perguntei “como assim tanto para ensinar?” e a resposta surpreendeu-me “já viste a forma como ela me acolheu na vossa família, a forma como ela ama todos a que rodeiam, um amor tão puro e verdadeiro, qualquer um fica rendido aqueles abraço. Surpreende-me como ela com as dificuldades que tem consegue ser uma criança tão dita normal, ela sem se aperceber é uma lutadora, motiva qualquer um a tentar o seu melhor apesar das dificuldades”. Essa pessoa é o meu namorado que muitos me assustaram dizendo que a Joana nunca o aceitaria pois teria montes de ciúmes, ou porque ele não a aceitaria a ela, a Joana ama qualquer um que mostre carinho por ela, e é impossível resistir ao amor que ela tem para dar.  

À Joana tenho a agradecer a mulher que sou hoje, aprendi imenso com ela e continuo a aprender todos os dias, cresci imenso, e sem dúvida aprendi a amar com outros olhos. Não importa o que aconteça eu estarei sempre aqui para ela, para a proteger contra tudo e todos se for preciso, para lutar com ela todas as batalhas vencer todos os desafios, conquistar novas etapas. Se há coisa que aprendi com a Joana foi “nunca desistir, com esforço e dedicação somos capazes de tudo” se não tivesse aprendido isto talvez não teria conquistado o que já conquistei e tido a força para tomar atitudes que alguns por medo não tomariam.

A Joana é o meu pequeno grande tesouro, é das melhores coisas que me aconteceu na vida não a trocava por nada e se pudesse não mudava nada nela, é perfeita simplesmente da forma como é. Eu não conseguiria imaginar a minha vida sem a minha irmãzinha mais nova, faltaria aquele sorriso, aqueles abraços apertados, aqueles beijinhos, aquelas brincadeiras, sem ela não seria a mesma Patrícia, sem dúvida que seria uma Patrícia incompleta! Se a minha etiqueta é “irmã da Joana”, então a Joana também deveria ter uma –  “Amor”.

Patrícia Duro