Embora seja uma frase demasiado usada e, por isso, um pouco gasta eu penso verdadeiramente que somos todos diferentes a diversos níveis.

Eu tenho pele clara, olhos azuis e cabelo claro enquanto que a pessoa à minha frente tem cabelo e olhos negros e pele morena.

Não serão já diferenças suficientes? Para a sociedade não. Porém, se eu estiver todo arranjado e bem vestido e a pessoa acima mencionada tiver um buraco nas calças, uns sapatos e um casaco mais gastos já não olham da mesma maneira e fazem questão de assinalar uma “diferença “. Infelizmente, as pessoas só se sentem incomodadas e dão pela “diferença” quando alguém tem uma pele cuja pigmentação não é a mais comum ou tem uma nacionalidade que não é a delas ou ainda quando uma pessoa tem uma deficiência física e/ ou motora.

Neste sentido e no âmbito de escrever um texto sobre pessoas com diferenças sinto que podia fazê-lo tomando em conta quase todas as pessoas que conheço . Contudo, vou escrever sobre a Beatriz, a mais nova das minhas três irmãs que é diferente de mim tal como as outras mas a que eu sei vai ser a única que vai ser rotulada de diferente. Conheci a Beatriz no dia 8 de Setembro de 2010, e foi provavelmente o melhor dia da minha vida.

A Beatriz tem, portanto seis anos, é uma criança adorável , engraçada e linda, mas o que as pessoas vão notar e exclamar quando a virem é “Ah ! tem trissomia21”. Eu não me importo porque eu sou feliz se ela for feliz e eu sei que ela será sempre feliz. Ela anda na mesma escola que eu andei, corre, anda, faz-se entender tal como qualquer colega da sua turma, mas isso, não chega para afastar os preconceitos.

O pior sentimento que eu tenho acerca da minha irmã é saber que não posso ser como ela e que as pessoas a vão descriminar também não, Que tristeza! Como era mais feliz e os que me rodeiam também o eram. Se eu fosse como ela. Eu não quero saber se ela vai ter trabalho. Eu não quero saber se ela vai ter filhos. A única coisa que me interessa é se ela é feliz e essa preocupação eu não vou ter.

Pedro Rolim