“Antes de ser mãe, nunca percebi as pessoas que passavam pelos bebés alheios e faziam gracinhas. Achava graça aos meus sobrinhos e a filhos de amigos mas não sentia qualquer ligação a bebés desconhecidos. Depois veio o Manel, logo seguido do Rodrigo, e deu-se a magia. Aprendi a achar graça a esta malta miudinha e a enternecer-me com os seus sorrisos.

Aconteceu-me mais ou menos a mesma coisa com as crianças com Síndrome de Down. Há uns anos olhava para elas de mão dada com as mães e achava que o brilho orgulhoso que irradiava do olhar materno era uma forma de aquelas mães disfarçarem o seu pesar.

Veio a vida demonstrar-me a grande e ignorante burrice em que tinha incorrido. Ou melhor, veio a minha filha Xiquinha ensinar-me, entre tantas e tantas outras coisas, que um filho diferente nos inunda a alma e nos traz para dentro de casa um mundo riquíssimo que, na nossa vida acelerada e cosmopolita, não sabíamos que existia. Sou hoje uma dessas mães que transborda de orgulho quando passeia de mão dada com esta filha “diferente”. Porque ela me espanta todos os dias, porque se supera a cada momento, porque me leva por caminhos fantásticos e me apresenta pessoas excepcionais que eu nunca teria conhecido de outra forma. E hoje, quando visito pais aflitos que acabaram de ter bebés com Síndrome de Down, dou por mim comovida e enternecida a olhar para aquele bebé único e irrepetível que acabou de nascer.

  

Invariavelmente digo-lhes: “Sei que talvez hoje não consigam perceber, mas não faz mal… juro que não faz mal”.”

Francisca Prieto, mãe da Francisca