Sempre pensámos em adotar um filho e isso foi desde há muito partilhado com os outros filhos, que foram sempre muito entusiastas. Nunca tínhamos pensado em adotar um filho especial, simplesmente porque nunca nos lembrámos. Quem não vive num mundo “especial”, quase sempre se esquece dos “outros especiais”.

Um dia, a Maria (uma amiga nossa que tinha adotado uma filha com  t21) falou-nos de uma criança especial para a qual não se encontrava família, … no dia seguinte inscrevemo-nos no serviço de adoção da segurança social e seis meses depois ganhámos um novo filho. A integração foi tão simples que não tenho nada a registar, … tudo decorreu com uma total normalidade e boa disposição por parte de todos. A evolução do Manel é notória. Parece ser muito feliz e transmite felicidade. Os nossos outros 3 filhos são adolescentes, às vezes não têm tempo para nada, mas para o Manel há sempre qualquer coisa para dar ou fazer. Cada um tem uma relação muito próxima e querida com o Manel e não nos atrevemos nunca a dizer que o Manel gosta mais de um do que de outro, pois em boa verdade ele “vibra” à séria com os três. Para nós, pais, é um amor incondicional e crescente, exatamente como acontece em relação aos filhos biológicos.

O Manel suscita em toda a família um incrível sentimento de amor e, por isso, alegria. Claramente somos uma família mais feliz com a vinda do Manel. Sim, temos mais trabalho, mas esse trabalho enche a alma. Sim, andamos mais cansados, mas seguramente mais felizes com a vida. Sim, há mais despesas, … ”encolhe-se” numas coisas, … opções de vida!

Confesso que tenho algumas angústias quando penso no futuro, mas aí o segredo é pensar automaticamente em tentar dar o melhor no presente. Nota menos positiva são os apoios existentes, designadamente ao nível das terapias … há poucos apoios, o pouco é obtido a “saca-rolhas” e sempre com a perspetiva de quem em breve teremos cada vez menos apoios. Ora, isto é inaceitável! Nestas dificuldades, o nosso baluarte foram sem dúvida algumas mães veteranas, a Pais em Rede e a Pais 21.”

Inês Moser, mãe de três adolescentes quando adotou o Manuel