POSSO AMAMENTAR O MEU BEBÉ?
Quando estamos grávidas começamos a pensar na possibilidade de amamentar o nosso bebé. Começam então a surgir algumas questões sobre a amamentação.

Às vezes não temos consciência das razões que nos levam a tomar a decisão de amamentar, mas essa decisão é frequentemente atribuída a vários aspectos. Podemos relacionar a vontade de amamentar com a nossa cultura, com os conhecimentos que temos sobre amamentação, com as nossas experiências anteriores com outros filhos, com o apoio e suporte à amamentação por parte da nossa família, nomeadamente do pai da criança e com o facto de acreditarmos que somos capazes de amamentar.

Quais os benefícios da amamentação?
Sabemos que a amamentação favorece a vinculação mãe-filho, estreitando a relação entre ambos. Dar de mamar é prático, pois o leite materno está sempre à mão e à temperatura ideal e é mais económico.

A amamentação protege a nossa saúde, contribuindo para a contracção do útero e a diminuição das hemorragias, ajudando-nos assim a voltar ao nosso estado físico normal e a perder peso. Amamentar diminui também o risco de cancro da mama e do ovário.
O leite materno protege o nosso bebé de infecções e alergias, pois é rico em proteínas e anticorpos. Protege-o ainda da icterícia, devido ao seu efeito laxante. O nosso leite é o leite que o bebé melhor digere.
E, mais importante que tudo, o bebé gosta!

E quando o nosso bebé tem Trissomia 21?
Quando ficamos grávidas tecemos alguns planos para o bebé, imaginamos como vai ser, se vai parecer-se connosco, se vai ter o feitio do pai, se vai ser calminho como a irmã …

Quando ele nasce estamos ansiosas por ver finalmente aquele bebé que sentimos mexer e crescer cá dentro, a quem chamamos nosso.
Na maior parte das vezes não nos passou pela cabeça que o bebé pudesse ter T21, pelo contrário, pensámos que não havia razão para que isso nos acontecesse. Se durante a gravidez não houve nenhuma suspeita, nem diagnóstico pré-natal, somos confrontadas com a realidade de que o nosso bebé tem T21 depois de nascer.
Receber uma notícia destas vem abalar-nos os planos e habitualmente passamos por um processo de “luto de perda”, que inclui várias etapas, entre as quais choque, negação, raiva, tristeza, desvinculação, reorganização e finalmente adaptação. Passar por tudo isto é normal e muito difícil. É importante percebermos que cada pessoa tem o seu tempo e necessita dele para reformular o seu sonho. Sim, porque o nosso bebé com T21 vai fazer-nos ver que os sonhos que tínhamos inicialmente podem e devem existir, apenas têm ser ajustados à nova realidade.

Vou poder amamentar o meu novo bebé?
Sabe-se que existem alguns factores que favorecem a produção de leite. Para que a lactação se faça eficazmente devemos ter confiança em nós próprias, poder ver, ouvir e tocar no nosso bebé.

Mas, há também alguns factores que dificultam a produção de leite e ter consciência deles pode ajudar-nos a controlá-los. Dificultam a produção de leite estarmos expostas a situações stressantes, a dor e a preocupação.
Sabemos ainda que quando amamentamos devemos fazer uma alimentação equilibrada e variada e fazer períodos de repouso.
Quando somos recém-mães de um bebé com T21 podemos ter dificuldade em produzir leite suficiente para suprir as necessidades do nosso filho, uma vez que vivenciamos sentimentos de grande ambivalência, podemos ter diminuição do apetite e não conseguirmos descansar eficazmente.
O nosso bebé com T21, é um bebé com o qual devemos ter cuidados e estar atentos a alguns sinais de alerta, tal como com os outros bebés.
Qualquer bebé deve ser amamentado sempre que o solicite, mas não o devemos deixar dormir mais do que 3 ou 4 horas seguidas entre as refeições. É através do leite que o recém-nascido ingere os nutrientes que necessita e também a àgua.
Por vezes o recém-nascido com T21 é hipotónico, isto é, um pouco “mole”, dormindo muito e reclamando pouco. Se for este o caso do nosso bebé é preciso acordá-lo para mamar e insistir para que o faça eficazmente.
Devemos verificar se o nosso filho urina em todas as fraldas, pois se mamar pouco e dormir muito pode ficar desidratado. Mais do que uma fralda seca pode ser sinal que está a mamar pouco. Temos ainda de avaliar se progride de peso, para tal devemos pesá-lo regularmente.
Sabemos que muitos dos recém-nascidos com T21 têm cardiopatia, ou seja doenças cardíacas, pelo que se podem cansar a mamar, não ingerindo a totalidade do leite que necessitam. Se o nosso bebé tiver um problema cardíaco devemos, mais uma vez, estar atentas aos sinais de desidratação e ao peso. Noutros casos de bebés com cardiopatia, é muito importante controlar o volume de líquidos ingeridos, para o bebé não ingerir demais e poder descompensar do ponto de vista cardiorespiratório. Assim, podemos extrair o leite com bomba ou manualmente e conservá-lo no frigorífico ou mesmo no congelador e depois oferecê-lo ao nosso bebé por biberão, sabendo exatamente a quantidade de leite que ele mama. Nestes casos os bebés são seguidos por um cardiologista pediátrico, com indicações muito precisas dos sinais a vigiar, nomeadamente a respiração e a cor do bebé, além de que, na maior parte das vezes, fazem medicação que deve ser rigorosamente cumprida.
Relativamente ao pai, o seu papel é de primordial importância para o sucesso da amamentação. Também ele deve ter conhecimentos sobre amamentação, falar connosco sobre a amamentação, incentivar-nos, apoiar-nos e elogiar-nos, o que nos ajuda imenso a manter o aleitamento materno.
O pai deve saber cuidar do filho, permitindo-nos ausentarmo-nos por períodos, ou extrairmos leite descansadamente. Deve providenciar para que façamos uma alimentação adequada e períodos de repouso. Deve ainda ajudar-nos durante a amamentação, promovendo o nosso conforto e correto posicionamento assim como o do nosso filho, providenciar para que o bebé faça uma boa pega e auxiliar-nos nas dificuldades que possam surgir.
Sempre que tivermos dúvidas sobre a amamentação devemos recorrer ao Centro de Saúde, onde há enfermeiros e médicos que nos podem orientar e aconselhar.

Podemos também recorrer à linha S.O.S. amamentação, telef. 213965650.


Guilhermina Cruz, mãe da Joana Cruz
Enfermeira de Neonatologia e Conselheira em Aleitamento Materno